Um alerta do pior que virá - The Economist - 22-07-2022

 

The Economist 22/07/2022

Um alerta do pior que virá

Adaptação será abrupta e custosa. Mais uma razão para frear as emissões.

Lá vem o momento em que a moeda desvaloriza. E nesta semana, na Grã-Bretanha, os ruídos da desvalorização da moeda foram maiores. Embora os bretões não sejam os mais afetados pela onda de calor que atinge agora o hemisfério setentrional, eles sofrem por uma alta temperatura: 40º C. Um recorde de temperatura nunca atingido antes no Reino Unido, não apenas lá, mas também em outros locais com temperaturas iguais ou maiores que esta. Uma coisa é entender na teoria que o aquecimento global tem causas antropogênicas, outra é sentir, literalmente, seu cérebro cozinhando.

Esse recorde força uma lição para a Inglaterra. No resto da Europa, em regiões da China e na América do Norte lições similares foram aprendidas, com incêndios florestais e pessoas morrendo de hipotermia. Ondas de calor não são novidades. Porém agora estão vindo com maior frequência, com extremas temperaturas e em lugares coincidentes. Um estudo recente aponta que há sete dias a mais de ondas de calor no hemisfério norte do que havia quarenta décadas atrás. Essa simultaneidade é estatisticamente inevitável: mais ondas de calor significam que ocorreram com maior frequência. Porém, as mudanças nos padrões de correntes de ar, que regulam a migração do ar quente dos trópicos, poderá piorar as coisas.

Aumento de intensidade e frequência (nos Estados Unidos, por exemplo, tiveram duas ondas de calor em 1960 e seis em 2010) já é ruim o suficiente. Aumentos simultâneos poderá ter nefastas consequências. Ondas de calor agridem a agricultura. Que poderá criar disrupções em várias plantações agrícolas, gerando crises de produção sem ter outras possibilidades de substituições.

As últimas ondas de calor também enfatizaram a criação de ambientes pensado em um contexto climático. Usando a Grã-Bretanha novamente, como exemplo, partes do sistema ferroviário quase paralisaram porque os trilhos suportam uma temperatura de até 27º C. Temperaturas maiores que 30º C estão foram de sua zona de conforto. Trilhos podem ser mudados assim como as sociedades se adaptam as altas temperaturas. Já que o custo e as mudanças em melhorar a infraestrutura de casas, hospitais e corpo de bombeiros será imenso. Até em países ricos, os governos relutam em se comprometem com os recursos necessários, como demonstra os Estados Unidos com sua beligerância no pacote “Build Back Better”.

Em países pobres as coisas serão piores. Eles possuem menos recursos e mais demandas de adaptação, sendo que estão na zona do equador, onde as altas temperaturas tendem a ser aniquiladoras. Outra questão é o crescimento populacional que tende a ser maior, logo mais e mais pessoas serão afetadas.

Outra ironia é que em alguns casos a tecnologia precisa se adaptar as altas temperaturas, por exemplo ar-condicionado inapropriado para algumas arquiteturas prediais, demandando eletricidade. Só nesta semana, na Grã-Bretanha a demanda cresceu em 5% comparada a semanas anteriores. Isso é bom se vierem de fontes renováveis. Mas se vier de combustíveis fósseis, acelerá o aquecimento global.

Adaptação, para este e outros desafios das mudanças climáticas, é a palavra-chave. Mas isto não absolve as pessoas de ignorarem o problema na fonte, criando fontes renováveis e desencorajando fontes poluentes. Se a desvalorização da moeda neste verão de ondas de calor inspirar ações nesta direção, o sofrimento e as mortes não serão inteiramente em vão.

Retirada da The Economist 22-07-2022

Tradução de Bruno Yudi Tamaki Inoue


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