Destruindo as paredes de bambu - The Economist

China trava guerra comercial dentro das suas fronteiras

Apesar de muita vergonha para admitir, correspondentes estrangeiros aprendem muito com motoristas de táxi. Na economia chinesa também pode se aprender a respeito dos próprios carros.

A maioria dos táxis em Pequim são da Hyundai. Em Shangai Volkswagen Touran ou Passat são majoritários. E em Wuhan é comum ter Citroens Elysées. Em cada caso, a explicação é a mesma. Essas marcas estrangeiras fazem parcerias com fabricantes locais estatais que o governo local está ansioso para patrocinar – até mesmo se isso custar mais para outras fabricantes ou para os consumidores.

Um claro exemplo do persistente “protecionismo regional” chinês. Muitas das províncias, cidades e condados tentam blindar empresas locais que estão fora da competição. Essas medidas dividem o grande país, de um mercado singular a uma pluralidade. “A China em muitos aspectos parece a União Europeia”, afirma Jorg Wuttke, presidente da Cadeira de Comércio da União Europeia na China. “Nós temos 27 estados-membros, eles tem 31.” A União Europeia está tentando aperfeiçoar seu mercado há três décadas, muitas vezes sob a garra das rivalidades nacionais e ressentimentos. A China tem lutado contra o protecionismo regional por muito tempo. Jornais em 1991 eram cheios de histórias sobre os “Barões da Economia” dividindo a China em “ducados” protegidos por “paredes de bambus”, afirma Andrew Wedeman em seu livro “De Mao ao Mercado”.

Algumas dessas paredes ainda existem. Se uma fronteira provincial divide duas cidades a 200 km, os meios de transporte andarão entre elas como se fossem apenas 100 km, de acordo com Lu Ming em conjunto com seus colegas da Universidade de Xangai. “As ferramentas” do protecionismo regional são muitas, diz Wuttke. Os governos podem, por exemplo, criar requisitos para produtos que apenas produtores locais podem atender. Podendo criar esses requisitos em setores competitivos para indústrias estrangeiras. Em governos anteriores, foi dado, inclusive, prioridade para carros locais usarem as vias expressas, de acordo com um artigo publicado por Panle Jia Barwick da Universidade de Cornell.

Algumas barreiras recentes foram documentadas pela Comissão Nacional Chinesa de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) em Maio. A província de Jilin, por exemplo, fez com que companhias de fertilizantes fosse a pé até um instituto local para testar seus produtos. A cidade de Ma’anshan se recusou a permitir que empresas privadas queiram o direito de minerar dolomite sem sete selos de permissão do departamento local (cuja suspensão foi alegada que “não sabiam das intenções das empresas”) Taiyuan obrigou que caminhões especifique suas rotas quando forem pedir permissões, o que dá desvantagem para motoristas de fora da cidade. O departamento de tráfego de Jiangxi delegou as licenças de bicicletas elétricas para companhias de seguro locais, as quais também vendiam seguros. Tais práticas de intervencionismo local são todas asseguras, de acordo com o NDRC. Mas presume-se que a divulgação de tais práticas ajude a deter medidas similares em outros lugares.

Uma maneira de expor as costuras do mercado chinês é ver o que acontece quando são removidas. Os condados chineses (que tem mais de 500 mil pessoas) algumas vezes são juntados com prefeituras maiores (com mais de 1 milhão de pessoas), removendo as fronteiras administrativas entre eles. Quando isso acontece, os condados conurbados tendem a prosperar. O PIB era de 12,6% maior que os condados que se juntaram com prefeituras que faliram, de acordo com Yi Han da Universidade de Pittsburgo. Os condados que se beneficiaram da junção aumentaram o mercado, assim como pequenos estados europeus se beneficiaram ao seu juntar do mercado comum europeu.

Esforços para destruir essas paredes de bambu ganharam mais urgência nos últimos anos. Após a crise global financeira, a guerra econômica e pandemia, mandantes da China concluíram que não podem mais confiar em mercados estrangeiros. Eles querem controlar a economia longe de um modelo de crescimento baseado em grandes importações de commodities e exportações de grande quantidade de produtos similares de bens manufaturados (um modelo conhecido como da jin da chu, “entradas grandes, saídas grandes”). Sua intenção mudou de inconstantes mercados além-mar para aquele que está bem diante deles.

Em abril, o partido comunista chinês, publicou uma série de opiniões clamando por uma ‘unidade de mercado nacional’. Lamentaram a “segmentação de mercados”, “construção de baixo nível” e o “vicioso competição de investimentos”. A hora é inapropriada, uma exortação para remover as metafóricas paredes de bambu, assim como as existentes paredes de metal que foram postam em Xangai durante a pandemia. Mas a iniciativa é bem-vinda, afirma Wuttke. “Eles perceberam que este milagre da exportação que eles tiveram acabará”, disse. “Estão tentando encontrar outros meios para a economia funcionar. E derrubar as barreiras protecionistas não é má ideia”.

Uma preocupação é que se os governos locais perderem critério regulatório, pararam de criar ducados e invés de “apresentarem planos” colapsarem para apatia. A feroz competição econômica entre as diferentes partes da China vai, apesar de tudo, deixar os governos locais com suas funções. Mas até mesmo em um mercado unificado, os governos locais podem competir para prover boa infraestrutura, mão de obra qualificada e ágil burocracia que seja padronizada em toda China.

A grande preocupação é se as intervenções locais continuarão mesmo após as exortações das lideranças chinesas. Um mercado unificado criará perdedores e vencedores. Irá, por exemplo, que indústrias locais automobilísticas percam clientes para competidores de outros locais. Líderes regionais resistem a isso. Eles querem preservar empregos, impostos e paz social, critérios avaliativos para o partido central. Se imperar a estabilidade, colocará em risco as chances de sucesso. Parar de favorecer indústrias locais, a China terá que repensar seus privilégios internos.

Traduzido por Bruno Yudi Tamaki Inoue

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